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Quando resolvi me mudar pra Curitiba, em 2006, eu não sabia muito bem o que me esperava.
Me mudar pra cá era um plano que mantinha tanto com o Bruno quanto com o Nagash desde uma época que não me lembro muito bem (caso raro), mas que foi bem anterior à nossa mudança.
Sei que tal idéia acabou se concretizando quando a gente resolveu fazer faculdade. Tá certo que cada um pegou uma época acadêmica meio diferente da do outro... o Naga já está pra entrar no Mestrado, o Bruno logo se forma e eu ainda sou um simples calouro, mas ainda assim o plano inicial foi não só cumprido como mantido.
Sempre ouvi dizer que os Curitibanos eram arrogantes e mal-educados. Felizmente nunca me senti maltratado por aqui... talvez seja graças à arrogância blasè dos Poços-Caldenses que me condicionou pra achar que qualquer outro lugar não fosse pior do que lá.
Não sou um comedor de barreado ou carne-de-onça, não tenho muita simpatia nem pelo Coxa e nem pelo Furacão (embora eu assista a alguns jogos do Coxa com a Aru quando rola um convite ou jogos mais interessantes de serem vistos in loco), não acho o frio algo chique e não sou tão provinciano quanto grande parte das pessoas que lidam com o público nessa cidade (a maioria deles vindos do interior do Paraná, é bem verdade), mas confesso que amo essa cidade.
Acho estranho a forma com que o Bruno, o Nagash e a Miriam (as pessoas daqui com quem mais mantenho contato) querem fugir dessa cidade assim que terminarem as pendências acadêmicas iniciadas anteriormente.
É estranho e até triste ver que logo eu vou acabar ficando aqui enquanto todos os meus melhores amigos terão partido para a sua cidade natal ou ido procurar algum novo rumo pra vida que não seja especificamente aqui.
Gosto de poder ir andando pra qualquer lugar. A cidade em si não é muito grande, e é razoavelmente fácil chegar nas regiões não-periféricas andando. O fato de ela ser pequena me permite encontrar algum conhecido sempre que saio de casa, coisa que muitas vezes nem em Poços acontecia.
A vida cultural aqui não é das melhores, mas o fato de ter cinema de arte por 1 real aos domingos muito me anima. E mesmo os lançamentos não são assim tão caros às quintas (3 reais). Filmes nacionais às segundas custam 2 reais, o que também facilita bastante as minhas idas ao cinema. Isso sem contar as inúmeras mostras que são gratuitas e não muito distantes da minha casa.
A violência por aqui aumentou um monte, eu raramente vejo policiamento atuante nas ruas, mas acho que o fato de ter a altura que tenho e andar rápido colaboram ainda hoje pro fato de nunca ter sido assaltado na vida. E se vier trombadinha com canivetinho eu parto pra porrada, hahaha.
As coisas hoje em dia estão muito mais caras se comparadas à época em que vim pra cá sem planos e aos trancos e barrancos, mas acho que essa é uma tendência global. O supermercado que tinha na minha rua fechou e o que tem na rua paralela não fica aberto mais durante 24 horas... situação caótica que me afastou ainda mais das prateleiras e me faz comer fora cada vez mais.
Enfim, já postei sobre a minha relação com essa cidade no post "On the Road", mas quanto mais o tempo passa, mais eu me dou conta de que todos vão embora enquanto eu talvez fique. Ou se eu for eu acho que volto, coisa que já aconteceu mais de uma vez desde que cheguei aqui pela primeira vez.
Penso que um dia talvez eu volte pra Porto Alegre, ou que talvez eu fique aqui mesmo... só sei dizer que aqui eu me sinto em casa... ainda que a minha única casa aqui se assemelhe mais a um lixão.
E pra falar bem a verdade, me sinto muito mais Curitibano do que muitos dos que são daqui. Porque ao contrário deles, eu vim pra cá porque queria.
Porque "tudo o que eu gosto é melhor na minha cidade".
"Punk Rock não se aprende na escola".
Não me lembro exatamente de onde vinha essa frase, mas se não me engano ela era associada a um dos discos dos Inocentes. Me lembro vagamente disso porque saía mensalmente uma propaganda na Rock Brigade, uma das milhares revistas de MetalPunk que costumava ler na década passada.
Eu sei que hoje era um dia onde eu me sentia razoavelmente inspirado pra escrever nesse blog. Até comentei com um amigo meu sobre isso, dizendo que escreveria algo com o título de "Parasitando o Planeta" ou "Aprendendo a ser Homem". Foi então que ele me sugeriu esse e eu resolvi acatar o desafio, já que cada um seguiria uma linha meio diferente de pensamento.
De volta à década passada... eu que cresci nos anos 90 sempre estive em contato direto com toda aquela cultura da época... desde a modernização do skate, as roupas xadrez e do surgimento dos video-games de cd.
Estudei em um colégio bastante divertido, tinha vários amigos e achava ultrajante faltar às aulas. Não pelas aulas em si, mas só pelo fato de estar perto daquele monte de doidos.
Perdi o contato com a maioria, e nem trago tantas lembranças de grande parte deles, porque o que realmente eu carreguei pra minha vida eu aprendi foi na rua de cima da minha casa.
Desde que eu tinha três anos de idade os meus pais são divorciados, cresci somente com a minha mãe e com a minha avó, que acabou falecendo quando eu tinha 10 anos de idade. Hoje em dia, com essa expansão da diversidade, muitos achariam que isso seria um pretexto pra eu ter me tornado gay - coisa que não aconteceu, pelo contrário, eu acho até que gosto mais das mulheres do que eu deveria.
Em compensação, mesmo sem a figura paternal, a rua de cima da minha casa era cheio de um bando de marmanjos mais velhos. O mais velho deles, o Igor, é chamado até hoje pela galera de "vovô".
Quando eu conheci o Igor eu deveria bater na cintura dele, em altura. Hoje em dia estranho o fato de ele não ter passado dos 1,70 e eu ter chegado quase aos 2 metros.
Outros amigos que moravam na rua também eram filhos de pais divorciados ou algo parecido... os pais do Igor até chegaram a morar um tempo juntos depois que eles já tinham se divorciado antes, mas acabaram se divorciando de vez depois. Os meus dois outros melhores amigos da época - o João Paulo e o Joe - também eram filhos de pais divorciados.
Enfim, o Igor é 6 anos mais velho que eu, coisa que hoje em dia não parece muita coisa, mas naquela altura ele sempre foi um pai pra todo mundo da rua (levando-se em conta que nossa galera contava com umas 15 pessoas, isso era algo relativamente significante), e certamente foi a referência máxima de paternidade pra grande maioria ali.
Apesar de todos os defeitos que algum adolescente rebelde de 18 anos possa ter, ele sempre nos "criou" muito bem.
Não fosse por ele eu nem começaria o post de hoje da forma que comecei... eu já gostava de Iron Maiden, Helloween, Nirvana e Guns n' Roses quando conheci ele, mas foi ele quem introduziu não somente eu mas toda a moçada no Metal e no Punk. E foi lá na casa dele que ouvi pela primeira vez o supracitado Inocentes, em uma fitinha K7 com uma qualidade sonora que não era das melhores. Ainda me lembro como se fosse hoje a primeira vez que ouvi aqueles acordes como manda o protocolo punk de "Expresso Oriente".
Depois disso acabei conhecendo o Pantera, e assim o Slayer.
Depois de ter conhecido o Slayer a minha vida nunca mais teria sido a mesma.
Eu não sei exatamente qual a influência que o Slayer é capaz de causar na juventude, mas até no Fantástico eles já apareceram sendo responsabilizados por alguns casos de sacrifício humano e afins. Até hoje me pergunto se tem banda com fãs mais fanáticos que o Slayer.
Eu, o Igor, o João Paulo e outros caras que moravam na minha rua já devemos ter perdido a conta de quantas vezes pixamos Slayer em algum muro, nas portas e paredes das salas de aula na escola ou até em objetos pessoais, como por exemplo o meu atual guarda-roupas.
O Joe, cara que citei ali acima, por exemplo, tem duas tatuagens do Slayer. Eu mesmo devo ter uma coleção de camisetas do Slayer aqui em casa. Uma de cada disco, representando cada época.
Acho que se fosse resumir o título do meu post, tudo iria de alguma forma passar pelo Slayer.
Aliás, isso daria até um roteiro interessante pra um curta metragem.
Por causa do Slayer conheci o metal extremo, e foi por causa disso que acabei conhecendo todas as namoradas que já tive na vida. Quem diria, até quando o assunto é amor eu paro pra notar que foi por causa dessas músicas do satanás que eu acabei desenvolvendo minhas relações pessoais.
Moro com 2 amigos que conheci por causa do Metal, sendo Slayer uma das nossas bandas favoritas em comum, além do Impaled Nazarene e outras coisas no tipo... e olha que quando conheci o Bruno ele nem gostava de Metal, era só um fanático em Crust que ainda assim respeitava a banda do Tom Araya e companhia porque eles sempre foram os metaleiros mais punks do planeta. Ou talvez o contrário.
Na faculdade, hoje em dia, eu falo com pessoas que não conhecem quase nada sobre o Slayer, acho isso deveras frustrante, ainda que tenha gostos em comum com esse povo. Mas dois fatos curiosos me marcaram. No primeiro churrasco que eu fui junto dos meus veteranos, falávamos sobre Diabolus in Musica, o famoso trítono, uma escala musical que foi proibida pela Igreja Católica na Idade Média.
Nisso foi um pulo pra falar do Slayer, e uma colega minha, a Carla, disse que conhecia. Acho que ela fez referência ao fato de o ex-namorado dela gostar ou algo do tipo.
Esses dias também estava eu na casa de uma amiga minha, a Miriam, e nosso programa de sábado foi ficar assistindo televisão esticados no sofá, e nisso passou um especial de três clipes do Slayer na MTV. Cantar o primeiro verso de Angel of Death é como se libertar de uma tensão presa há muito tempo no âmago da alma.
"Auschwitz, the meaning of pain, the way that I want you to die!"
O Metal há anos já não me anima mais como fazia antigamente, talvez porque essa seja uma tendência global, visto que na adolescência todos aproveitamos pra seguir de vez uma tendência que represente a nossa personalidade.
Hoje em dia eu já tentei tomar um rumo na vida e tentei virar gente... não que eu tenha tido muito êxito, mas eu me prolongarei nesse assunto posteriormente quando resolver fazer as postagens sobre um dos temas que disse lá no começo desse post.
Mas chegando a uma breve conclusão, é tudo culpa do Slayer... desde o fato de eu estar parasitando o planeta até o fato de ter aprendido a virar homem.
Com uma conclusão tão direta, só posso afirmar uma velha máxima que um conhecido uma vez proferiu:
"O Metal é uma porta que abre para o nada".
Vai ver é por isso me tornei um niilista.
"Todo ser humano é um suicida em potencial".
- Autor desconhecido
Essa frase é bastante controversa, mais por causa da moral e dos bons costumes do que pelo conteúdo dela em si.
O conteúdo faz bastante sentido, diga-se de passagem, visto que desconheço qualquer pessoa que nunca quis morrer ao menos uma vez na vida. Não estou falando em tentar se suicidar na prática, mas simplesmente desejar morrer, ainda que essa seja uma decisão momentânea.
Não me lembro exatamente em qual altura da vida eu fui me dar conta da vida e da morte, mas sempre cresci sabendo que uma das minhas tias tinha se suicidado após uma vida infeliz ao lado do marido... outros casos similares não são tão raros na minha família.
Recentemente ao ver Anticristo eu tentei me lembrar exatamente qual idade eu tinha quando desejei estar morto pela primeira vez, mas infelizmente não consegui ter uma idéia.
A vida pra mim (assim como presumo que pra todos) sempre foi um jogo de altos e baixos, que não adianta ficar mensurando no final, pois como já dizia Jayme Caetano Braun: "na conta da vida não adianta saldo médio".
Sei que se eu morresse hoje, seriam poucas coisas que eu gostaria de falar, acho que muitas vezes o silêncio fala por mim. Passei tanto tempo tentando fazer da minha própria solidão a minha melhor amiga que não percebi o quanto ela recusou tornando-me assim cada dia mais sozinho.
Só sei que se morresse iria pedir pra que não houvesse nenhuma celebração religiosa ou algo do tipo, e de preferência que me cremassem e jogassem minhas cinzas no mar. O antigo clichè que sempre me pareceu razoável, o regresso ao oceano que diante da nossa pequenez torna-se cada vez mais infinito.
De alguma forma, eu estaria no misterioso oceano de Solaris.
Sendo Tarkovsky um dos meus deuses, minha jornada espiritual estaria completa.
É legal ver com as coisas se completam. O Anticristo é um filme dedicado a Tarkovsky.
Compreendi a minha própria metafísica sem nem precisar de um guia pra isso... fato que certamente justificaria não só a minha morte, como também a minha vida.
Pensar nisso me faz querer viver pra sempre.
"Only the good die young".
Lembro que na minha infância, faculdade parecia ser algo meio inatingível. Eram poucas as pessoas que realmente faziam, e geralmente elas já arrumavam um emprego após se formar e ficavam nele, fazendo algum curso para ter uma especialização mais técnica ou melhor formação... e não o contrário.
Isso nem faz muito tempo, pouco mais de 10 anos e as coisas mudaram.
Me lembro que quando me formei no colegial eu talvez deveria ser um dos únicos alunos da minha turma que não tinha a mínima noção do que fazer. Eu pensei em jornalismo, física, letras - francês, letras - russo... a minha adoração por cinema não parecia ser uma opção acadêmica (a qual hoje tenho uma certeza enorme de que é definitivamente o que eu tinha que fazer).
Sempre tive um preconceito enorme contra o curso de cinema, e depois que ingressei na faculdade esse preconceito só cresceu: alunos que fazem o curso por puro hobby, outros que fazem por status, além da enorme quantidade de moleque que acha que tem vocação pra ser o novo Stanley Kubrick ou se imagina como um gênio do tipo... enfim, nada que eu já não esperasse.
Hoje estou mais envolvido nas questões acadêmicas do que qualquer outra coisa.
Além das aulas e do Centro Acadêmico, eu sempre tenho algum trabalho pra fazer (coisa que aliás eu deveria estar fazendo agora) mas ainda não perdi muitos resquícios do meu espirito procrastinador.
Faculdades públicas e todos os seus problemas às vezes cansam, mas é satisfatório... e o espirito anarquista está cada vez mais vivo por conta disso.
Boicote ao ENADE, confronto com direção e governo, entre tantas outras coisas me lembram muito do texto sobre o terrorismo poético que escrevi aqui anteriormente.
Enfim, só não queria deixar o blog morrer e escrever alguma coisa aqui, ainda que seja completamente inútil.
Muita coisa mudou do último post pra cá. Algumas pra pior, outras pra melhor.
Enfim, viva Tarkovsky.
E não reparem na cara de alcoólatra da foto, sabem como é:
Já respondendo antes que me perguntem, ou contrariando a todos aqueles que ponderaram a idéia de eu ter abandonado o blog: não, não desisti de postar aqui, apenas estou incapacitado de conectar.
Desde a minha última postagem muita coisa mudou... enfim, eu mudei!
Contrariando a lógica e a escassez financeira, eu voltei pra Curitiba pra dar um adianto na minha vida acadêmica, e apesar de ter ficado quase 15 dias sem aula graças ao surto de Gripe Suína que rondou a cidade as coisas voltaram ao normal, e eu sigo caminhando rumo ao meu sonho vagabundo de me formar em cinema (porque eu já me dei conta de que ninguém vai ver os meus filmes e o retorno financeiro é escasso, pra não dizer nulo).
Enfim, estou sem computador, e conecto do computador do Nagash algumas horinhas por dia.
Mas contrariando a minha falta de esperança e de fé na boa vontade alheia, ainda espero que um dia meu laptop chegue, mesmo esperando ele desde Abril e com esperanças nulas de que nunca ganharei um antes de ter dinheiro pra poder comprar o meu próprio.
De qualquer forma, odeio essas coisas muito pessoais em blogs que não interessam a ninguém senão a mim mesmo e a no máximo alguns três stalkers que eu possa ter.
Devo ter acesso à internet desde 1997 ou 1998, quando comecei a acompanhar o mIRC, o bate papo da Mandic (que depois faliu graças à expansão da Uol) e posteriormente o chat da Rock Online no já mencionado servidor da Uol.
Naqueles tempos a internet era um mundo novo, um local a ser explorado e cheio das coisas que só se viam na antiguidade. Todos tinham um website mal-feito com código fonte editado no bloco de notas, faziam busca no cadê (somente os mais experts utilizavam o altavista) e programavam seu próprio script de mIRC.
Não é nem necessário dizer que eu mesmo fiz todas essas coisas mencionadas acima.
Passou-se o tempo e hoje em dia a internet virou um negócio deveras entediante e que as pessoas entram por puro vício e costume, e ainda assim sabendo de todas as chatices da web 2.0, ninguém seria capaz de ficar mais de um dia afastado sem ao menos se perguntar como anda a vida virtual.
Eu por exemplo entro na internet atualmente praticamente só pra falar com a minha namorada (que obviamente eu prefiro falar pelo telefone ou pessoalmente, mas nem sempre é possível) e pra me informar sobre as matérias das próximas aulas, horários e afins...
Orkut nem é mais tão legal (quando eu fui convidado no começo de 2004 eu achava aquilo a coisa mais legal do mundo), o Myspace então nem se fala, já zerei a maioria dos joguinhos do Facebook que eu costumava jogar, o Twitter tornou-se pop e chato e eu já não tenho mais tanta vocação pra ficar editando/tirando fotos e arrumando boas citações pra atualizar o Tumblr.
Resumindo: a era virtual está em declínio, sobrevive por pura inércia.
E mesmo se eu vivesse plugado em um cabo USB, pra sempre eu ia me sentir em uma eterna abstinência virtual, lembrando de como no meu tempo as coisas eram muito melhores.
Poucas coisas na vida me fazem sentir tão motivado quanto a contra-cultura.
Acho que a distorção dos valores e luta contra a moral sempre me animaram de alguma forma - mesmo que eu seja contra em certas vezes - eu sempre fico maravilhado com as minorias lutando uma guerra que jamais seriam capazes de vencer.
Não sei exatamente onde surgiu o termo Terrorismo Poético, mas sempre o considerei um bom título... vejo a busca pela libertação não exatamente como um terror, mas sim como um sonho utópico... poético, quase romântico.
Sempre que trata-se de política, os conservadores me taxam de comunista, enquanto os socialistas me taxam de fascista... sinceramente não tenho predileção por nenhum dos lados, mas sim pelo oposto. Gosto de contrariar, e gosto de pensar que se tudo fosse destruído talvez pudéssemos sonhar com a liberdade.
Adoro essa palavra: "Liberdade", uma pena que no fundo nunca saberemos o que isso significa.
Não sei exatamente quando surgiu essa minha adoração pelo assunto, talvez tenha sido logo no início da adolescência quando adquiri os gibis do V de Vingança, onde desassociei os conceitos de caos e anarquia que costumavam caminhar juntos na minha infância... a minha avó mesmo sempre costumava dizer quando eu resolvia bagunçar completamente a casa: "Pára de fazer anarquia, moleque".
As cenas em que o Tyler troca os panfletos nos aviões simulando pânico e depois pregando outdoors de que "você pode usar óleo velho do seu carro para adubar o jardim" ficaram na minha cabeça como uma das primeiras lembranças que tive sobre o assunto. É algo tocante, quase Shakespeariano, que poucos prestam atenção devido à fachada de filme de ação adotada por grande parte dos que resolveram assistir. Não os culpo.
De volta ao assunto, tratando-se de cinema, não foi há muito que conheci o novíssimo cinema Alemão e vi que grande parte das suas obras seguem essa temática... fiquei realmente impressionado da primeira vez que assisti Edukators. Todo aquele sentimento adolescente de criatividade reprimida e de um esforço por uma causa que sempre foi subversiva por natureza me cativaram logo de início...
Outro bom filme na mesma linha é o também utópico O Que Fazer em Caso de Incêndio?, esse um tanto menos elaborado que os outros citados, mas ainda assim um bom filme.
É estranho pensar que nesses filmes os atos de resistência costumam dar certo e passar até uma certa nostalgia de algo que nunca aconteceu e nunca iria acontecer... faz com que eu me sinta um tanto sonhador, mas talvez seja realmente essa a poesia por trás do terrorismo. O poeta é um grande fingidor, já diria o Pessoa.
Concluindo o post algumas horas depois (tive o grande desprazer de ver meu time tomar gol de um cara mais gordo que eu in loco, mas ainda há esperança).
Sempre que caminho por Curitiba eu costumo apreciar os muros e afins... sempre me deparo com alguns bons stencils e excelentes cartazes... alguns sem muito propósito, alguns mais humorísticos, a maioria deles incentivando o uso de bicicletas entre tantas outras coisas que propagam o ideal libertário (o verdadeiro ideal libertário, não essas novas tendências anarco-capitalistas(?!) ou ideologias igualmente travestidas) e que merecem um destaque não só pela mensagem em si, mas pela criatividade e boa manipulação da arte.
Tratando-se de arte de rua sempre fui muito fã do Banksy, artista inglês de verdadeira identidade desconhecida, e de mensagem mais politizada do que subversiva num geral, ainda que isso caminhe lado-a-lado. Mesmo sendo os "malditos ratos de Londres" a sua marca registrada, gosto principalmente das artes anti-militares dele.
Enfim, o mundo é mais cheio de utopias e romantismo do que parece, mas cabe a nós
Porque a arte é naturalmente degenerada, questionadora, imoral, atemporal, redentora, terrorista e poética.
Sobre a questão dita logo acima quando falava sobre os filmes do novíssimo cinema alemão... "O que fazer em caso de incêndio?".
Deixa Queimar!
Cena real de uma manifestação da população contra a polícia, na Grécia, em dezembro de 2008, após a morte de um jovem por um policial.
Como todos já devem ter percebido, o frio chegou... e chegou com propriedade!
Enquanto a maioria das pessoas se entopem de roupas caras, cachecóis e afins enquanto dizem adorar o frio, os que vivem na margem da sociedade certamente pensam o que a maioria dos outros brasileiros costumam dizer em outros assuntos alheios ao clima: malditos argentinos.
Afinal, essas massas de ar polar e afins que trazem esse frio filho da puta pra cá são sempre culpa do vento da Argentina.
A questão é: quem gosta realmente do frio?
Fico aqui pensando, acho que realmente ninguém gosta (tirando o Jack Frost e outros bonecos de neve similares).
Entre as atividades favoritas para se fazer no frio encontram-se:
- Tomar chocolate quente
- Ficar embaixo das cobertas
- Assistir filme enrolado em algum edredon
- Ficar abraçado com a pessoa amada
- Acender uma fogueira/lareira
Eu gosto de temperaturas amenas, odeio sentir frio da mesma forma que odeio sentir calor... gosto de poder sair de camiseta e bermuda durante os dias e de calça e blusa de moletom durante a noite.
Conforme a imagem acima, segundo o Weather.com, a temperatura estava na casa dos 2°C às 8 da manhã... isso explica as temperaturas negativas e geada nas madrugadas, que fizeram com que as frestas da minha janela acordassem com uma fina camada de gelo.
E Curitiba parece não estar numa situação muito melhor que a daqui... às vezes fico pensando se escolhi bem as cidades pra morar/estudar, hahaha.
E nessas horas eu tenho vontade de esganar o idiota que falou sobre o tal aquecimento global e coisas do tipo... não que isso não faça sentido, mas um pouco de calor agora não iria mal.
Enquanto isso, contemplem o mundo frio, que logo é verão de novo.
Esse post complementa a idéia comum de que quando os humanos não tem nada pra fazer, eles geralmente falam sobre o clima.
Desde os meus primórdios eu me lembro das minhas noites de insônia.
Não sei qual foi a primeira vez que passei uma noite em claro, mas a minha primeira recordação de uma insônia foi ainda nos Estados Unidos, quando eu devia ter uns 4 anos e passei a madrugada inteira escrevendo cartões de natal (costume que eu ainda gostaria de ter no fim do ano, uma pena que as proximidades festivas daqui não sejam tão acaloradas quanto lá - apesar de todo o frio e neve).
Desde então, já fui cúmplice de muitas madrugadas, algumas horrorosas e que sinceramente prefiro esquecer, outras não tão ruins assim.
Fato é que na insônia eu tenho boas idéias, um período de ócio criativo que faz com que eu faça coisas boas que não faria no decorrer de um dia normal caso tivesse ido dormir no horário planejado.
Essa noite foi mais uma daquelas noites em que demorei pra dormir.
No começo eu parecia estar com calor demais, até notar que estava de calça, blusa e com um monte de cobertas...
Após providenciar que o clima debaixo das cobertas ficasse mais "fresquinho", resolvi pegar o Mp3 Player e ouvir algumas músicas.
Cheguei à conclusão que o split Satyriasis das bandas de neofolk Ordo Rosarius Equilibrio e Spiritual Front é um dos maiores discos da história... ou pelo menos um dos melhores splits que já ouvi.
Como esse blog também é de utilidade pública (bom, na verdade não é) eu deixarei aqui o link para o disco, disponibilizado pelo Sonora Aurora da Ingrid (provavelmente foi por causa dela que eu descobri esse split maravilhoso).
[ Clique aqui pra Baixar ]
Após ouvir, estava tão maravilhado com a trilha que já tinha praticamente desistido de dormir, e acabei ouvindo alguma coisa e outra do Electric Wizard quando resolvi pegar o baixo de um amigo que está aqui pra tentar tirar alguma música...
Foi algo simples, tocar baixo é tão fácil pra uma banda de Stoner que eu logo deixei ele de lado e peguei a guitarra.
Passei na guitarra e voz todas as músicas dos Smashing Pumpkins que sei tocar (pra não dizer que passei todas as músicas que sei tocar, visto que só sei tocar músicas das "Incríveis Abóboras" do Corgan) e depois tentei compor algo Neofolk na linha do que tinha ouvido antes.
Escrevi alguns rascunhos, compus algumas notas e me dei por satisfeito, ainda que fossem umas três da manhã e eu não pudesse colocar o volume muito alto e nem forçar muito a voz (não só pelo volume, mas sim pelo estado em que se encontra a minha garganta após esse período de mudanças climáticas).
No fim das contas, considerei tal madrugada um tanto produtiva...
Apesar da noite mal-dormida acordei cedo e bem humorado, afinal é sexta (assim como todos dias o são) <3
PS: Feliz aniversário pra minha querida mãe, que nessa data completa 57 primaveras (é, meus amigos... o tempo passa).
Sei que demorei muito pra escrever aqui, mas não abandonei o blog.
Tinha muito pra falar aqui... fiquei esperando pra falar sobre a incrível segunda-feira que tive no dia após o show do Opeth (ler post abaixo) - obrigado pelo dia Breno e Melissa, depois iria fazer um baita post sobre o show do Kiss... mas o tempo passou, eu perdi o feeling e acho que atualmente nada disso importa.
O que dizer às 8 horas da manhã de uma sexta-feira é sempre complicado, ainda mais quando dormiu-se mal e viu-se um filme que foi de péssimo gosto adaptarem dos quadrinhos para as telinhas (ou telonas, em todo caso).
Enfim, deixando tudo de lado, eis o sentido da vida...
I don't care if monday's blue
Tuesday's grey and wednesday too
Thursday i don't care about you
It's friday i'm in love
Monday you can fall apart
Tuesday wednesday break my heart
Thursday doesn't even start
It's friday i'm in love
Saturday wait
And sunday always comes too late
But friday never hesitate...
I don't care if monday's black
Tuesday wednesday heart attack
Thursday never looking back
It's friday i'm in love
Monday you can hold your head
Tuesday wednesday stay in bed
Or thursday watch the walls instead
It's friday i'm in love
Saturday wait
And sunday always comes too late
But friday never hesitate...
Dressed up to the eyes
It's a wonderful surprise
To see your shoes and your spirits rise
Throwing out your frown
And just smiling at the sound
And as sleek as a shriek
Spinning round and round
Always take a big bite
It's such a gorgeous sight
To see you eat in the middle of the night
You can never get enough
Enough of this stuffIt's friday
I'm in love
Dando continuidade ao post de ontem... onde já introduzi todos à minha viagem e ao show...
Enfim, Domingo.
Sábado eu fui dormir na casa do Paulo, e apesar do sono e do trago, não consegui pregar o olho.
Ansiedade, expectativa, insônia... tudo isso junto, me fez ficar virando de um lado pro outro na cama, amassar os lençóis e tirar o forro do colchão.
Peguei no sono ja era manhã, mas ainda assim eu acordava direto, até que deu a nossa "hora oficial de acordar".
Depois de um banho rejuvenescedor e de um maravilhoso Strogonoff, saímos de casa pra encontrar a Melissa (que tinha acabado de chegar, visto que tinha me abandonado no dia anterior).
Encontramos com ela e mais uns caras de Belo Horizonte, todos muito gente fina, e então fomos pro local do show.
Saíndo do metrô, fomos rumo ao lado errado da rua (vou sonegar o fato de que a culpa foi minha), mas serviu de algo: nos deparamos com uma rua chamada "Rua do Racionalismo Cristão" (ou algo do tipo).
Por falar nisso, feliz Sexta-Feira Satan para todos.
De lá partimos pra porta do show, onde a fila já encontrava-se grande. Tanto o Breno quanto o Duval estavam em um local muito privilegiado, a ponto de ter grades e seguranças, não permitindo que eu pudesse garfar uma vaga ali do lado deles, fodendo com toda a minha expectativa de pegar um lugar na grade do show.
Rodamos alguns bares, onde encontramos com o Coroner, o Kexo e outros caras, mas por fim eu estava com sono, cansado e com a perna machucada... resolvi parar de andar e ficar na fila guardando lugar.
E lá fiquei, enquanto conversava com uns caras que passavam vendendo cd, adesivo, além do já mítico e conhecido mundialmente peruano vendedor de camessetas. Inclusive esse maldito peruano ainda zoou com a minha cara porque o Inter não tava na Libertadores... e tinham uns gremistas na minha frente que começaram a dar risada. Ainda bem que os deuses do futebol nos deram mais uma vitória em Gre-Nal naquele dia.
Depois de algumas horas o Jespão apareceu (também com uma camisa de futebol), e ali ficamos na fila, enquanto a chuva não sabia se ficava ou se ia embora.
Passado um tempo, a fila começou a andar e entramos no local.
Felizmente desta vez deixaram ficar com o ingresso, ao contrário do Carcass que recolheram todos os ingressos.
Pegamos um bom lugar até... na décima fila, mas em frente ao microfone principal.
A banda de abertura (o Of the Archaengel) é boa e bastante profissional em cima do palco, mas definitivamente eu não estava muito no clima pra Dark Metal aquele dia... acabou-se o show e eu estava quase morrendo de tanto calor, quando surgiu o Breno com uma cerveja redentora.
Antes do show do Opeth começar, eu consegui andar mais umas 4 filas adiante, na técnica do cotovelaço e do empurra-empurra... o Paulo e o Breno aproveitavam os espaços e me seguiam.
Até o início do show, estávamos no melhor lugar: Entre a quarta e quinta fila, de frente para o palco, com uma visão privilegiada e ouvindo o som que vinha diretamente das caixas do palco, e não dos PA's superiores.
A Melissa ficou lá atrás com a minha câmera, o que me impossibilitou de fazer vídeos e fotos de frente ao palco, mas de qualquer forma a minha memória não vai me permitir esquecer nada daquilo ali.
Não reparem a cara de sono: como eu disse, já era o meu segundo dia sem dormir.
Ainda antes do show, eu mencionava com o Paulo e com o Brenoca o fato de ver uns caras com uma bandeira do Amazonas na porta do show. Nisso um cara que tava do meu lado disse: "Eu sou de Manaus".
Sei que fiquei abismado com o tanto de gente que veio de longe pra esse show... Rio Grande do Sul, Manaus, Paraíba, além dos supracitados caras de BH.
Enfim, O SHOW!
Eu não tenho muitas palavras pra descrever o que vi ali... o set list não foi dos melhores, mas a presença do Mikael em cima de um palco faz com que qualquer apresentação do Opeth seja um arregaço. Tocaram somente 4 músicas da fase antiga, sendo uma delas não tão grande coisa assim, mas as outras três me fizeram chorar feito uma criança que tem seu brinquedo favorito roubado. Não sei se alguém se emocionou tanto quanto eu na hora que tocaram Godhead's Lament, mas fica aqui o meu registro de um dos top moments of my life.
O Mikael é muito engraçado, fez piadas, contou histórias e falou um monte de coisa que não fazia sentido algum (sei lá se aquilo era Sueco ou ele tava fazendo de propósito)... a apresentação dos caras foi impecável, tirando alguns problemas técnicos com a guitarra do Åkeson e os pedais do Axe... nada demais.
No fim do show eu estava tão cansado que mal conseguia respirar. Minha pressão tinha caído e foi por pouco que não desmaiei, tamanho o calor.
Suei tanto que a minha calça jeans ficou molhada de suor, e só foi secar no outro dia... um cheiro não muito agradável. Ainda bem que camisa de futebol seca rápido.
A camiseta da tour era muito bonita, uma pena que a G era pequena e a GG era absurdamente gigantesca... comprei uma GG e pedi pra minha mãe apertar, coisa que vai demorar alguns dias.
Encontrei alguns amigos depois do show, entre eles o Grotth (que demorei a reconhecer, já que ele cortou o cabelo), o Odin (diretamente do Rio de Janeiro) e a Marcella (diretamente de Brasília). Encontrei também com a Gaby na porta do show, mas estava tão catatônico que nem consegui falar direito com nenhum deles na primeira meia-hora após o show.
Após alguns rolês sentamos em um bar onde tomamos algumas cervejas - todas pagas pelo Grotth, valeu Erich! - e depois fomos embora.
Tiramos umas fotos sensacionais, mas infelizmente todas ficaram na cam da Melissa, e ela esqueceu o cabo na casa da mãe dela - what a misfortune!
Depois voltamos o Paulo e eu pra casa dele, onde tomei o que apelidei de Banho da Vitória, vi os gols do Gre-Nal, comi duas pizzas e então fui dormir o que gostaria de ter chamado de Sono dos Justos, uma pena é que a insônia mais uma vez me deu um nó nas pernas.
Tudo bem, que iria se importar em dormir após um dia sensacional como esse?
E de pensar que a semana estava só começando... mas isso é assunto pra outro post.
PS: Quase me esqueci de duas coisas cruciais!
1. Logo após o show do Opeth, iria rolar o show do Calcinha Preta, que já tinha deixado seu ônibus estacionado ali na rua perpendicular. Fora a incrível pintura "Tour 2009" ainda havia o adesivo de uma índia na janela... O Breno tirou uma foto lá, eu infelizmente não fui perspicaz a esse ponto.
Justamente por causa do show, havia uma cláusula no contrato que determinava a pontualidade do horário de "entregar a casa", o que impediu que o Opeth tocasse Harvest, Drapery Falls e talvez a Demon of the Fall como música de encerramento. Maldito Calcinha Preta!
2. Abandonem a mão-chifrada como símbolo metálico oficial. Afinal, isso é algo meio antigo, deixe isso para os Punk's. Vamos utilizar apenas o novo gesto metálico, o The Hook. Um gancho com cada mão, pra dar mais efeito.
Aprendam, mortais!
Hook for life!